Investigação portuguesa dá nova esperança contra "doença da tinta" que já destruiu um milhão de castanheiros

Um estudo revela que a resistência à "doença da tinta" pode estar ligada ao ADN dos castanheiros, abrindo novas formas de combate. Os investigadores identificaram diferenças genéticas que explicam porque algumas espécies resistem melhor à doença e, os avanços da investigação, podem permitir desenvolver castanheiros mais resistentes e proteger a produção nacional.
Redação
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13 abr. 2026, 08:00

A chamada “doença da tinta” tem sido uma ameaça silenciosa para os castanheiros. Mata a árvore por dentro e, quando se dá por ela, já é tarde demais. Agora, um novo estudo pode mudar esse cenário e abrir caminho a soluções mais eficazes.

A investigação, liderada por cientistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, descobriu que a resistência a esta doença pode estar, afinal, “escrita” no ADN das próprias árvores. E isso pode ser um ponto de viragem importante.

A doença, provocada por um agente do género Phytophthora cinnamomi, ataca as raízes dos castanheiros e avança sem dar sinais visíveis. Em Portugal, estima-se que tenha destruído cerca de um milhão de árvores nas últimas duas décadas, afetando diretamente produtores e regiões que dependem desta cultura.

Para perceber melhor o que está em causa, os investigadores compararam duas espécies: o castanheiro europeu, muito valorizado pelo fruto, e o castanheiro japonês, conhecido por resistir melhor à doença. Em laboratório, infetaram ambas as plantas e observaram como reagiam.

O que descobriram foi claro: o castanheiro japonês ativa rapidamente um conjunto de genes que ajudam a combater a infeção. Já o europeu reage mais tarde, ou nem sequer ativa essas defesas da mesma forma.

A partir daqui, abrem-se novas possibilidades para o futuro do castanheiro. Uma delas passa por “ensinar” os castanheiros a "defenderem-se" melhor, através de uma espécie de pré-ativação das suas defesas, quase como uma vacina. Outra hipótese é usar estes genes como marcadores para identificar quais as árvores mais vulneráveis. E há ainda o caminho da criação de novas variedades mais resistentes, recorrendo a técnicas de melhoramento ou edição genética.

O estudo, publicado na revista BMC Genomics, envolveu também várias instituições científicas, incluindo o INIAV e centros de investigação de Espanha. Embora não seja uma solução imediata para o problema, este estudo ganha importância porque, neste momento, não existem tratamentos químicos realmente eficazes contra a doença.