20 cirurgiões do IPO Porto entregam escusas de responsabilidade por tratar casos fora da especialidade

Os médicos sublinham que está em causa a segurança dos doentes oncológicos e o cumprimento das boas práticas médicas e lembram que a sua atuação está limitada à sua área de competência.
Agência Lusa
Agência Lusa
16 abr. 2026, 08:47

Vinte e três cirurgiões gerais do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto entregaram escusas de responsabilidade e alertaram que estão a ser chamados para assegurar situações clínicas fora da sua especialidade.

Em comunicado, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) explica que estas situações clínicas “altamente especializadas” para as quais os 23 cirurgiões das equipas de urgência/permanência estão a ser chamados pertencem às especialidades de Urologia e Otorrinolaringologia, que estão sem cobertura durante a noite, fins de semana e feriados.

Dizem ainda que não podem assumir responsabilidade por “falhas organizativas” que coloquem em causa a qualidade dos cuidados de saúde.

Face a esta situação, o SMN exige uma resposta urgente do Conselho de Administração do IPO do Porto, da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS), do Ministério da Saúde e da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

As escusas foram igualmente remetidas à Ordem dos Médicos.

IPO Porto garante que segurança dos doentes “nunca se colocou em causa”

O Instituto Português de Oncologia do Porto negou estar a receber escusas de responsabilidade de cirurgiões e, lembrando que mantém em permanência uma equipa clínica multidisciplinar, garantiu que a segurança dos doentes “nunca se colocou em causa”.

“É falso que, à data, se tenha recebido escusa de responsabilidade por parte de médicos cirurgiões, mas sim declaração de exercício sob reserva técnica”, escreveu a administração do Instituo Português de Oncologia (IPO) do Porto em resposta à Lusa.